(GULA) Segredos e Mistérios da Alimentação

Os mistérios da alimentação: por que comemos demais?

Nesta época de ano novo, em que quase todo mundo está pensando nos excessos que cometeu no fim de ano, cientistas chegam com uma resposta que pode acalmar alguns ânimos: bote a culpa nos hormônios. Em um estudo publicado no fim de 2009, pesquisadores da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, afirmam que o hormônio grelina é responsável por fazer com que ratos procurem por comida, mesmo sem fome.
De acordo com Jeffrey Zigman, professor de medicina que participou do estudo, as descobertas mostram que a grelina afeta o comportamento em relação à comida e pode levar à comilanças exageradas também em humanos, que carregam o mesmo hormônio. A grelina já era conhecida por ativar as mesmas regiões do cérebro ativadas pela cocaína.
Nos experimentos com ratos, Zigman e sua equipe treinaram ratos para que eles soubessem que um local com paredes listradas tinha uma guloseima rica em calorias, enquanto uma câmara com paredes cinzas tinham um lanche com baixas calorias. Depois do treinamento, os ratos, já saciados, foram soltos para ir em qualquer local que quisessem. Os ratos que receberam injeções de grelina preferiram ir ao quarto com a comida calórica, mesmo se o local estivesse vazio. Aqueles que não receberam a dose extra do hormônio não mostraram esta preferência.
“O comportamento do rato não tinha nada a ver com a comida”, explica Zigman. “O comportamento acontece pela procura da coisa mais prazerosa”, diz. A grelina, entretanto, não é o único fator pelo qual exageramos na quantidade de comida: outras pesquisas mostram que vários processos corporais estão envolvidos no problema. Em 2003, um estudo realizado na Inglaterra revelou que pessoas que têm o gene GAD2 têm mais chances de serem obesas. Este gene acelera a produção de um neurotransmissor que estimula a vontade de comer.
O neurotransmissor dopamina também está envolvido no problema. Baixos níveis da substância fazem com que as pessoas comam mais, buscando estimular a sensação de prazer trazida pela dopamina, de acordo com um estudo publicado em 2007. Além disso, comportamentos não-genéticos têm grande influência sobre a nossa alimentação. Se você costuma pedir um balde grande de pipoca sempre que vai ao cinema, geralmente acaba fazendo o mesmo pedido, mesmo sem fome.
Outro fator não-genético é o tamanho das porções de comida: um estudo de 2005 aponta que as pessoas tendem a comer mais quando têm porções maiores de alimento. Além de todas estas questões, uma pesquisa publicada em 1999 afirma que, quando estamos com o cérebro sobrecarregado, não conseguimos parar de comer na hora certa, quando nos sentimos satisfeitos, independente da quantidade de grelina no nosso corpo.
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